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 QUEREMOS OU SOMOS VIGIADOS?

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markez 236
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MensagemAssunto: QUEREMOS OU SOMOS VIGIADOS?   Sex Set 25, 2009 6:04 pm

,,Queremos Ser ou Somos Vigiados?
texto por Érico Dias
O Mundo onde vivemos está em constante mudança. Por mais bem preparados que estejamos através de ferramentas que criamos, máquinas e armas, o ser humano não consegue controlar todas as variáveis envolvidas na sua segurança. No entanto é nessa área que tem havido grandes inovações tecnológicas de apoio aos países nas suas estratégias de guerra, como para empresas nas suas estratégias comerciais e até ao homem comum na sua protecção e na satisfação das suas necessidades. Mas mesmo com estas grandes inovações iremos perceber que a natureza é ainda imbatível face a tudo o que possamos inventar.

O tema Vigilância tem uma presença forte nas nossas vidas quotidianas e polémica nas nossas vidas privadas. A ética na utilização de equipamentos de vigilância chega por vezes a ter contornos paradoxais. No livro «Mil Novecentos e Oitenta e Quatro» de George Orwell, livro que inspirou o concurso televisivo Big Brother (consistia na vigilância 24 horas sobre 24 de uma casa onde os seus convidados, os participantes, viviam em conjunto confrontados com pormenores e temas alusivos a sua privacidade), o livro de George Orwell, conta-nos a história de uma sociedade que vive sob um sistema político totalitarista de um país em guerra. Winston, a personagem principal, descreve-nos o esquema de vigilância montado pelo governo ditatorial para controlar os cidadãos nos parâmetros impostos. Sem querer aprofundar as técnicas usadas para moldar o comportamento humano para a servidão e restrição da liberdade, os equipamentos retratados consistem no telecrã, uma televisão que serve de meio de comunicação entre o governo e os cidadãos com câmaras vídeo, microfones e altifalantes instalados em todos os pontos estratégicos: casas, edifícios, ruas e postos de trabalho.


Fig.1 Flyer do filme baseado no livro de George Orwell,«1984»

Fig.2 Winston foge a vigilância do telecrã.

O imaginário de Orwell profetiza de certa forma os dias que vivemos hoje e certamente iremos viver amanhã. Vivemos num mundo onde a insegurança nos acompanha, além do terrorismo que se afirma como uma ameaça a nível global, existem também as guerras e os conflitos entre facções armadas entre certos países, mas mesmo em países onde não existem tais conflitos ou ameaças existem outras com as quais também ninguém fica indiferente como o crime organizado, a extorsão, o tráfico de drogas, de armas e de pessoas, como também os homicídios e os roubos, as burlas e os crimes electrónicos. Partindo deste ponto, a vigilância é essencial para nos precavermos destas ameaças as nossas vidas. É um mal necessário para a nossa segurança…
No Reino Unido, o Município de Londres, como medida de sucesso para diminuir a criminalidade urbana, optou por inserir 4.000.000 de câmaras de vídeo, algumas rotativas e com um engenho para limpar o vidro que protege a lente por causa da chuva, nos vários pontos da cidade, incluído nos transportes públicos, e ligadas a um circuito fechado de vídeo CCTV. Com este número existe uma proporção estimada de uma câmara para cada 15 pessoas, numa cidade com aproximadamente 7,5 milhões de habitantes. Estima-se que os visitantes de Londres são filmados 300 vezes por dia.


Fig.3 Câmara de vigilância CCTV de circuito fechado

Outro exemplo de tecnologia inovadora ao serviço da vigilância e gestão de ocorrências chama-se RFID (Radio Frequency Identification). A radiofrequência identificável nasceu há quase 60 anos a partir de uma tecnologia usada na 2ª Guerra Mundial, a IFF ( Identification Friend or Foe) que permitiam aos americanos identificar se os aviões eram aliados ou inimigos. Hoje a RFID tem sido implementado em áreas de gestão de armazéns, rastreios de objectos entre outras. Muito sucintamente, a RFID consiste num chip, pouco maior que um grão de arroz, que emite um sinal na forma de um combinação alfanumérica para um receptor descodificando a informação sobre a sua localização de um objecto, o pagamento de um serviço, entre outras informações usando as ondas rádio, compreendo-se assim, que é uma tecnologia sem fios e que suscita nela um teor bastante prático e bastante eficiente. A implementação da RFID é hoje em dia considerada uma mais-valia para muitas empresas funcionarem de forma eficiente, pois ela implica a diminuição substancial de recursos humanos na gestão de objectos em armazém e tem vindo a ver usada também no rastreio de animais de estimação ou reclusos de crimes menores e no pagamento de serviços automaticamente. As ideias para aplicações destas tecnologias são vastas e muitas delas estão em curso. Um exemplo a que refere a aplicação desta tecnologia num âmbito global, é a sua aplicação em supermercados para substituir a tecnologia de código de barras, pois a RFID não precisa de qualquer tipo de contacto, visto que consegue ler a informação do sinal emissor dos produtos através do corpo humano, de roupas ou materiais metálicos.
Imaginemos fazer compras e nem precisar de passar pela caixa…


Fig.4 A imagem demonstra o tamanho de um chip RFID em relação ao de um grão de arroz.

Conseguimos perceber agora que esta tecnologia oferece uma eficiência tanto para empresas como para consumidores, mas existe um problema ético envolvido no uso deste tipo de tecnologias…
O Cartão do Cidadão é um documento que possibilita garantir maior segurança na identificação dos cidadãos; harmonizar o sistema de identificação civil dos cidadãos nacionais com os requisitos da União Europeia; facilitar a vida dos cidadãos, através da agregação física de vários cartões; ver o uso dos serviços electrónicos, com recurso a meios de autenticação e assinatura digital; melhorar a prestação dos serviços públicos, alinhando a modernização organizacional e tecnológica; racionalizar recursos, meios e custos para o Estado, para os cidadãos e para as empresas; promover a competitividade nacional por via da reengenharia e da simplificação de processos e de procedimentos.


Fig.5 Imagem legendada do Cartão do Cidadão Português

Este documento apresenta variadíssimos atractivos para a vida de qualquer cidadão, mas também implica a perda de privacidade nas suas acções, pois através dele os seus passos serão controlados a todos os níveis. Será esse um mal necessário para nos defendermos da insegurança global ou nacional, será esse um resultado ou efeito colateral da insegurança que a criminalidade representa para a nossa qualidade de vida?
Existem mais alguns equipamentos de vigilância que estão ser implementados. Eis por exemplo os instrumentos de análise, alguns são bem conhecidos do grande público devido a sua aparição em filmes de ficção científica. A análise imediata de Raios X, da retina ocular, de impressões digitais, os monitores cardíacos e de calor já fazem parte da nossa realidade (alguns já há muito tempo). As escutas telefónicas, os cartões magnéticos, os e-mails, o GPS são outros meios de detectar dados sobre pessoas ou informações.


Fig.6 Leitor biométrico da palma da mão

Na perspectiva do marketing, a quantidade de dados disponíveis pode determinar o bom sucesso de uma operação que visa os objectivos de uma entidade. E para isso, a vigilância dos processos é fundamental para determinar o nível de produção em relação a eficiência, mas também a prevenção de riscos possíveis na linha condutora da montagem de um produto ou serviço. É de salientar que a comunicação é um factor determinante que está ligado a estas tecnologias, visto que transmitem informações que podem ser usadas até estatisticamente para avaliar resultados, testar variáveis ou encontrar erros e isso é uma grande mais-valia para quem gere a produção de determinado produto ou serviço na senda de conseguir um determinado conjunto de resultados.



Na perspectiva da segurança, a verdade é que todos estes equipamentos ainda não chegam para cobrir todas as variáveis possíveis e imaginárias que podem fazer com que uma quebra de informação ou uma catástrofe aconteça. Já vimos que todas estas inovações tecnológicas têm a sua utilidade no combate ao crime e ao terrorismo. No entanto, o faro de um cão pode salvar centenas de vidas ao detectar explosivos ou droga numa mala revestida e aparentemente sem cheiro para o ser humano ou estes equipamentos altamente desenvolvidos. Também temos o caso de ratazanas que ajudam na detecção de minas em Moçambique, África. Estes dois exemplos esclarecem-nos o quanto desprotegidos ainda estamos, paradoxalmente connosco próprios. Isto só prova que a natureza ainda tem muito a ensinar e que, talvez e em jeito de especulação, seja melhor nos aliarmos a ela em vez de nos aliarmos uns aos outros para nos protegermos de nós próprios.



E agora em jeito de conclusão, observemos que por um lado estamos a viver num mundo onde o secretismo é uma arma poderosa para as nações e organizações sobre o qual definem as suas estratégias e interesses económicos. Será justo o homem comum prescindir da sua privacidade e dos seus segredos para proteger interesses alheios aos seus e que muito dificilmente o irão beneficiar? Será esta obsessão com a vigilância e o controlo dos comportamentos dos seres humanos uma forma de esconder uma conspiração para proteger interesses económicos ou segredos de estado? Claro que não podemos responder a este tipo de perguntas sem termos provas. Mas os equipamentos de vigilância implementados e aqueles que estão planeados para ainda ser implementados servem sem dúvida para poderem ser usados contra nós. Sem dúvida podemos dizer que estas tecnologias são óptimos utensílios para uma melhor eficiência aliados aos processos laborais e para obter dados importantes para uma gestão mais precavida e organizada para todos, mas é pertinente perguntarmo-nos até onde pode ir o uso destas tecnologias na tentativa de esclarecermos todo o seu potencial de utilidade e necessidade de estabelecer limites na sua utilidade.

Bibliografia
David Shenk, ‘Debaixo de Olho, O Mundo da Vigilância Electrónica’, in National Geographic, Novembro, 2003.

Orwell, George(1949); «nineteen eighty-four», Bibliotex,SL; 2002

Webgrafia
http://www.portalrfid.net
http://www.pictures-europe.com/pictures-uk.htm
http://www.rfid.org
http://www.aimglobal.org


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