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 Masterização = Alquimia (conceitos base)

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ciperlone
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MensagemAssunto: Masterização = Alquimia (conceitos base)   Sab Out 10, 2009 7:45 am

Masterização = Alquimia
(conceitos base)




Para quem não sabe, e dito de forma curta e grossa, a alquimia consiste em transformar a merda em ouro.
Esse não é bem o objectivo da masterização... mas é certo que a masterização é uma ciência que pouquíssimos "mestres" conseguem fazem com verdadeiro sucesso.

A masterização é aquela secção mesmo antes de imprimir os cds, ou antes, a última parte, mas ao mesmo tempo, a mais importante.

É na masterização que se sobe o som todo, onde ele ganha "músculo", e a música mais ranhosa consegue ficar a soar bem!

No entanto, para uma boa masterização, é necessário uma boa MISTURA.

A mistura é feita na altura da produção.
Isso implica gravar tudo muito bem, com boa qualidade, nivelar os sons todos de modo a que todos se oiçam, meter compressão no que interessa, separar e organizar as frequências de cada canal com equalizador, de modo a que caiba tudo num canal stereo sem que o som se torne "enlameado" (o termo em inglês é muddy), e sem que um instrumento não invada a sonoridade do outro.
A altura da mistura é muito importante, porque vai definir o carácter final do som, isto é, o género musical, o sentimento que pretende mostrar, e quais os instrumentos que vão lá estar.

Para nós produtores que temos um estúdio caseiro em casa, o que realmente interessa é uma boa mistura. Se o som estiver bem misturado, já soa bem só por sim, só lhe falta a pujança para ir para as rádios, de modo a que o som não fique mais fraco que o resto das músicas que passam na rádio...
aqui já entramos na guerra do loudness, que é um conceito a explorar noutro tópico.



Para quem não sabe, os estúdios servem para o pessoal ir GRAVAR (pré-produção e produção). Posteriormente, o gajo que gravou ou um seu assistente, vai andar às voltas com as gravações, a escolher os melhores takes, a corrigir erros, a meter coisas novas que faltam, ou a tirar coisas que estão a mais... Para isso não é preciso um estúdio grande, basta um home studio com uma (ou, de preferência várias) boa escuta (monitores de referência, e bons phones), e muitas (mesmo MUUUUUITAS) horas de trabalho, até enjoar. Isso é o tal processo da mistura...

Depois de tanto “bater na mesma tecla”, chega uma altura em que parece que tudo soa finalmente bem, coeso e congruente. Depois disso, convém deixar repousar a mistura durante um tempo, num local seco e escuro. Esquecer o que se fez, e lavar os ouvidos com outra coisa. Eu gosto de ouvir novos álbuns, e/ou começar novos projectos de gravação e mistura.

Um ou vários meses depois, volta-se a pegar na mistura, e se tudo correr bem (o que raramente acontece), não é preciso mexer em nada. Caso contrário, aconselho o seguinte:
- Quando fores voltar a ouvir a tua mistura, certifica-te que não vais ter nenhuma interrupção durante um longo período de tempo;
- ouve um álbum de referência, ou vários. curte o som, e sente a qualidade que pretendes na tua futura mistura
- agarra num papel e caneta, e mentaliza-te que, quando fores voltar a ouvir a mistura, vai ser uma altura muito importante. É como se fosses ouvir a música pela primeira vez
- escreve as primeiras impressões que te vierem à mente, assim que elas aparecerem.
- no final da primeira audição, revê as notas, e volta a ouvir se achares mesmo necessário. Tem em conta que as próximas conclusões que tirares não são tão importantes como as primeiras que tiveste. Na música, contrariamente à maioria das coisas, a primeira impressão conta MUITO. Ao ouvirmos um som mau durante muito tempo seguido, chega uma altura que ele começa a soar bem. Esse é um dos maiores desafios de quem produz.
- volta a pegar no projecto, e faz as alterações necessárias.

Uma dica muito importante:
Sempre que voltares a pegar no projecto, faz um bounce da música inteira. Muitas vezes, ao ouvir coisas que alterei a pensar que as estava a corrigir, voltei atrás porque a versão anterior estava melhor.

Robert Henke (criador do Ableton Live) uma vez disse, num workshop:
“If it sounds good, it's good”
Não interessa se tem “má qualidade”, ou se está distorcido, se está a 8 bits ou cheio de ruído de fundo... às vezes é mesmo isso que a música pede, e se soa bem nesse contexto, não lhe mexas mais. Mas não sejas preguiçoso... se não soa bem, corrige. As vezes os erros na música soam muito bem, e às vezes as regras de ouro são transgredidas e nascem os melhores álbuns de sempre (como é o caso do OK Computer dos RadioHead).

Quanto à masterização... se realmente queres um som a sério, não masterizes, fala com quem percebe a sério do assunto. A masterização é um assunto muito delicado, é preciso um ouvido incrivelmente delicado, muitos anos de experiência, e uma paciência de Job para um resultado minimamente decente.

Hoje em dia todo o mundo masteriza, e todo o mundo produz... um produtor meu amigo, e muito conhecido, disse-me que nunca se fez tão mau som como agora, apesar de termos a tecnologia e ferramentas para uma excelente qualidade sonora.
O problema, desconfio eu, está na mentalidade que esta sociedade nos incutiu, de querermos e termos resultados imediatos, fastfood, net rápida, grandes velocidades na estrada, conversas em tempo real com o mundo inteiro... Além do DIY (Do It Yourself), em vez de procurar a ajuda e o conselho de pessoas experiêntes no assunto.
Para um bom trabalho é preciso muita paciência, e essa é uma virtude essencial para um resultado de qualidade.

Bons vibes para todos, e espero que este texto tenha ajudado e esclarecido algumas dúvidas.
Postem dúvidas, que responderei de bom grado ;-)


Leitura recomendada:
“Mastering Audio: The Art and the Science”, de Bob Katz
http://www.amazon.com/Mastering-Audio-Science-Bob-Katz/dp/0240805453
Um livro de leitura obrigatória para quem quer mergulhar a sério no misterioso mundo da Masterização.
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